Fazendo elefantes dançarem: a startup dentro de cada organização

A energia das pessoas nas startups é um fator que impressiona. Têm-se empenho e um ciclo de agilidade que toda organização gostaria de ter. Essa agilidade e engajamento não são um apenas desejo, cada vez mais são uma necessidade para sobrevivência na Nova Economia.

 

 

Organizações que não conseguem criar estruturas ágeis e não implementam mudanças tempestivamente acabam virando história. É preciso ter agenda estratégica, mas isso não basta. É preciso implementar essa estratégia!

Por um lado, uma startup é uma estrutura com capital de risco e enxuta em termos de sua linha decisória. Geralmente quem decide coloca a mão na massa, um ambiente meio caótico. Ao crescer, esse caos pode ser letal. Para quem sobrevive, e cresce, controles e processos são implantados, trazendo todas as complexidades de uma grande organização. Afinal, todo elefante nasce pequeno.

Eis que temos vários elefantes adultos, bem veteranos no mercado: organizações que são lentas e pesadas, que se veem em uma Nova Economia mais acelerada, e precisam correr,  dar cambalhotas. Quem está na pista de dança, precisa dançar. E o ritmo da música exige improvisação e agilidade.

“As pessoas costumam relutar em correr riscos sem a permissão dos superiores”.

“As pessoas se apegam a seus hábitos e temem perder poder e status”.

Reconheceu sua organização? Quem já não viveu ou já viu uma situação como essa? Governos são elefantes por natureza. Grandes indústrias têm suas lentidões e são arrasadas por não se adaptarem a tempo.

E quando as estratégias não são implementadas, o quanto você se depara com gestores culpando os outros?

“Pode ser tentador simplesmente culpar as pessoas pelos problemas: os gestores de nível médio obcecados por controle ou os executivos focados na própria carreira”.

Bem, esse cenário revela o problema dos elefantes que não sabem dançar. No cenário contemporâneo tem-se um risco cada vez maior de extinção desses “animais.

O remédio envolve três princípios ativos:

  1. Agenda de inovação: e aqui vale uma ideia em muito provocada por Kip Garland de isolar as iniciativas disruptivas de sua matriz.  Dar independência, autonomia e evitar a morte das inovações por “asfixia” dentro da organização;
  2. Mudanças culturais: promovendo verdadeiros “Choques de Gestão” na estratégia da organização – direcionamentos novos a exemplo do vivido pela IBM, e retratado no livro “Who says Elephants Can’t dance?”;
  3. Gestão: liderança promovendo o mindset de agilidade e a forma de engajar pessoas e incluindo processos nessa linha. Muito importante para a agenda de inovações não disruptivas. Sobre esse ponto cabe provocar a importância de mentalidade de adaptaçãoassumir resultadosvalorizar aprendizado e também dos novos processos.

O conceito é criar estruturas duais nas organizações, em que coexistam as necessárias hierarquias e controles, mas se criem estruturas movidas por entregas e que promovam maior integração na empresa.

A proposta é interessante pois não se trata de desconstruir o modelo de grandes organizações, mas de trazer uma forma de oxigená-lo em linha com a ideia de lideranças situacionais e de gerar propósito.

A agenda de criar lideranças de acordo com a situação e engajar não pela força da ordem, mas pela motivação e inspiração.

Lideranças com poder em grandes organizações precisam ter isso em mente para serem agentes de transformação efetivo. A nova geração deve buscar organizações oxigenadas que a motive, entendendo que nem tudo precisa ser recriado. A agenda da mudança pode ser a de coexistir, o novo e o velho: a startup na organização.

 

Fonte: Eder Campos /  Blog Reflexão Gestão
Livro citado: KOTTER, John P. Acelere – Tenha Agilidade Estratégica Num Mundo Em Constante Transformação. HSM Editora, 2015.